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Cleusa Maria da Silva: a identidade por trás da Sodiê

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Foto de Vinícius Gonçalves

Vinícius Gonçalves

Consultor de negócios · 20+ anos de experiência

  • 6 min de leitura
  • Atualizado em 29 de outubro de 2014
Cleusa Maria da Silva: a identidade por trás da Sodiê
Cleusa Maria da Silva: a identidade por trás da Sodiê

Acomodação é uma palavra que não existe no vocabulário de Cleusa Maria da Silva, fundadora da Sodiê. A doceria existe há 17 anos e começou no interior do estado de São Paulo. Mas a vida da empresária nunca foi fácil. Cleusa começou a trabalhar com 9 anos para ajudar a mãe, que tinha outros oito filhos e acabara de ficar viúva. Seis anos depois, ela deixou seu estado natal, o Paraná, e foi para São Paulo buscar uma vida melhor. Durante algum tempo foi empregada doméstica e, quando surgiu a oportunidade de conhecer uma outra área, ela não pensou duas vezes: se mudou para o interior e aprendeu a fazer bolos. Com as economias que guardou durante dois anos, Cleusa abriu a primeira loja Sodiê. A loja agradou tanto que muitos clientes saíam da capital só para comprar seus bolos. Uma dessas pessoas se interessou pelo negócio e sugeriu a abertura de uma franquia na cidade de São Paulo. E a empresária topou! A rede continua em plena expansão e hoje implementou o “test drive”, permitindo ao futuro empreendedor que acompanhe de perto o funcionamento de uma loja antes de fechar o negócio. E Cleusa cuida de tudo. “Faço questão de conhecer pessoalmente todos os franqueados, temos uma relação próxima, olho como está o movimento e ajudo no que for preciso, todos têm meu telefone celular. Acho que para se dar bem nesse mercado precisa ter um envolvimento próximo com o negócio”, observa Cleusa. Nessa entrevista Cleusa Maria da Silva conta sobre sua vida, seus projetos e fala do mercado. Veja: Novo Negócio - Sua vida não foi fácil. Conte um pouco sobre sua trajetória. Cleusa Maria da Silva - Quando perdi meu pai, comecei a trabalhar como boia fria. Minha mãe tinha nove filhos para sustentar, além de mim que estava com 9 anos. Com 15, saí do Paraná para tentar a vida em São Paulo como empregada doméstica. Depois fui para Salto, interior do Estado, e lá tive a oportunidade de trabalhar como boleira. Nessa época eu já tinha o meu filho mais velho, Diego, com 8 anos e agarrei a oportunidade que me foi dada. Durante cinco anos, a Sodiê foi uma loja com 20 m². Não folguei um único domingo! Demorou muito, passei muito tempo entregando bolos a pé até que um antigo cliente e amigo sugeriu abrir a primeira franquia em São Paulo Capital. A partir deste impulso, a Sodiê começou a tomar a forma de hoje. Novo Negócio - Quando você decidiu empreender? Era um sonho antigo ou a vida te levou por esse caminho? Cleusa Maria da Silva - A única coisa que eu queria era dar uma vida digna para os meus filhos e mais conforto para a minha mãe. Essa força que acabou me levando para o empreendedorismo. Não foi algo pensado, foi muita força de vontade mesmo. Quando comecei a trabalhar como boleira percebi que era um mercado em crescimento e que eu poderia tirar dali um futuro melhor para minha família. Em 1997 abri a primeira loja Sodiê. Consegui juntar cerca de R$20 mil ao longo de dois anos e abri a loja na cidade de Salto, a cerca de 100 km de São Paulo. Durante cinco anos, ela teve um espaço de 20m². Novo Negócio - A Sodiê já nasceu formatada para ser franquia ou foi algo que aconteceu por força das circunstâncias e do sucesso? Cleusa Maria da Silva - Não. No início eu nem sabia o que era franquia! A ideia foi consolidada em 2007, após cinco anos de pesquisas e pedidos de clientes que reclamavam que precisavam sair da capital (de SP) para comprar os bolos. Inclusive, um desses clientes foi o primeiro franqueado, com uma loja na Zona Norte de SP.

"Todo começo é difícil e cercado de incertezas sobre o futuro. Mas procurei manter meu foco e fé e claro, sempre ter ao lado pessoas que acreditam no negócio".

Novo Negócio - Como descreve sua experiência no franchising? Cleusa Maria da Silva - Eu acho que é uma forma muito mais segura de empreender. Eu poderia ter muitas lojas, mas dificilmente conseguiria estabelecer um padrão para todas. Quando a Sodiê virou franquia, o negócio foi profissionalizado e crescemos rapidamente. Com certeza foi o melhor caminho para o nosso crescimento. Novo Negócio - O início foi difícil? Cleusa Maria da Silva - Sim. Todo começo é difícil e cercado de incertezas sobre o futuro. Mas procurei manter meu foco e fé e claro, sempre ter ao lado pessoas que acreditam no negócio. E eu sempre valorizei muito a qualidade dos bolos, queria ter a certeza de que todas as lojas teriam condições de produzir artesanalmente bolos como o mesmo sabor que conquistaram os clientes e transformaram a Sodiê em uma franquia. Mas acho que rapidamente acertamos a mão e por isso a rede não para de crescer. Novo Negócio - Você atribui parte do sucesso da Sodiê às balas de coco que aprendeu a fazer em um programa de TV. Como foi isso? Cleusa Maria da Silva - A grande inspiração veio com o Programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, que ensinou a fazer balas recheadas. Vi ali uma chance de introduzir um novo item na minha lojinha para chamar a atenção dos clientes. Foram diversas tentativas até o acerto. Novo Negócio - As franquias de alimentação normalmente não sofrem com a sazonalidade. No entanto, precisam de novidade. Com que frequência você oferece coisas novas para os clientes? Cleusa Maria da Silva - Os bolos da Sodiê são artesanais e como cada loja produz seu bolo, cada franquia tem o acompanhamento de uma nutricionista para manter o padrão de qualidade e sabor da marca. Além de mais de 80 sabores de bolos, também investimos em linhas especiais como a Zero Açúcar, também atendemos clientes com alergia a lactose, glúten e ovo. Outro carro chefe da marca são as balas de coco recheadas, que aprendemos com a Ana Maria Braga e foi um dos principais impulsos para a Sodiê crescer. Também trabalhamos com balas de leite ninho. Os clientes não nos veem apenas como uma empresa que comercializa bolos para aniversários ou datas comemorativas. A Sodiê é onde ele vai para degustar um delicioso doce no final da tarde, ou para presentear aquela amiga que é louca por bolo trufado ou levar para a empresa em uma tarde especial. Não costumamos lançar sabores sazonais, porque eu acho que isso é um pouco frustrante para o cliente, uma hora tem, outra hora não tem o seu sabor favorito. Mas procuramos ficar atentos ao feedback dos clientes e quando criamos um novo sabor, incluímos definitivamente no cardápio. Novo Negócio - O cenário brasileiro é favorável para os empreendimentos? Cleusa Maria da Silva - Doce é um produto que vende em qualquer época do ano e que o consumidor sempre procura e nunca vai deixar de consumir. Certamente é um mercado rentável. O Brasil ainda é um país que está se ajustando economicamente e socialmente. Temos um negócio que atende a todas as pessoas sem distinção. Vendemos o ano inteiro. E a gente trabalha com um produto que é delicioso e adequado para o consumo independente do clima. Procuramos sempre renovar os sabores de acordo com o feedback dos próprios clientes e por isso estamos sempre surpreendendo o consumidor. Novo Negócio - Em cima de que pilares você construiu a sua empresa? Cleusa Maria da Silva - Pra mim o mais importante é ter amor pelo que está fazendo. Sem amor a receita desanda. Novo Negócio - Qual é a sua receita de sucesso? Cleusa Maria da Silva - Determinação e paixão. Eu nunca fui e nunca serei uma mulher acomodada. Enquanto tiver forças lutarei para realizar meus objetivos honestamente e sempre colocando a mão na massa para fazer tudo dar certo.

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Sobre o autor

Vinícius Gonçalves

Consultor de negócios · 20+ anos de experiência

Administrador pela UEG, consultor com mais de 20 anos de experiência e especialista em planos de negócios. Pai de três, marido e empreendedor.

Atuou na Algar Telecom, no SEBRAE e em diversos pequenos negócios. Aficionado por criação de negócios, gestão e mentalidade empreendedora. Criou o Kit Novo Negócio, usado por mais de 13 mil empreendedores em diversos países.

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