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Alessandro Bomfim: de panfleteiro a CEO

Conheça Alessandro Bomfim e sua trajetória empreendedora para se inspirar. Entre e aproveite.

Foto de Vinícius Gonçalves

Vinícius Gonçalves

Consultor de negócios · 20+ anos de experiência

  • 7 min de leitura
  • Atualizado em 2 de dezembro de 2014
Alessandro Bomfim: de panfleteiro a CEO
Alessandro Bomfim: de panfleteiro a CEO

Alessandro Bomfim tem uma história muito parecida com a de vários jovens brasileiros: nasceu em Catu, na Bahia, em 1977 e, com menos de um ano de idade, foi para o Rio de Janeiro morar com a avó materna. Porém, por problemas de saúde da avó, dos 7 aos 17 anos, precisou acompanhar a mãe e o padrasto militar por vários estados do Brasil. Sua infância e adolescência não foram nada fáceis, a começar pela convivência com o marido de sua mãe que era uma pessoa violenta. Aos 20 anos, em 1997, Alessandro decidiu trabalhar e agarrou uma oportunidade como panfleteiro de rua de uma escola de informática, no Rio de Janeiro. No ano seguinte, foi promovido a vendedor externo, em 1999 passou a vendedor interno e ganhou destaque com o seu desempenho, que mês a mês surpreendia. Já em 2000 tornou-se gerente de vendas. Depois de discutir sobre sua ideia de ampliar a área de atuação da escola e oferecer novos cursos, chegou a Gerente Geral. Em apenas cinco anos, após esse grande salto profissional, fez uma oferta de compra aos sócios antigos e fundou sua própria empresa com mais dois sócios. Para crescer, o empresário assumiu investimentos de alto risco, como abrir escolas durante o período crítico da crise mundial, e saiu na frente com vantagem competitiva em seu segmento. Mas em nenhum momento ele desanimou. "Hoje sei que mais importante do que ser bem sucedido é trabalhar no que eu gosto, com paixão, foco e determinação. O dinheiro vem como consequência". Hoje, Alessandro é dono da rede de escolas Saga, que é a maior rede de escolas de arte digital do país e já formou mais de dez mil alunos em oito unidades, em cinco cidades diferentes (São Paulo, Recife, Salvador, Brasília e Belo Horizonte), e forma os futuros profissionais de computação gráfica que vão trabalhar em televisão, publicidade, estúdios de games etc O empresário também trouxe para o Brasil a primeira escola internacional de arte digital, a Axis, resultado de uma parceria com a escola norte-americana Gnomon School Of Visual Effects, a mais respeitada escola de computação gráfica em 3D, animação e efeitos especiais do mundo. Quer saber mais? Nesse bate papo com o Novo Negócio, Alessandro Bomfim fala sobre suas escolhas, sobre o mercado de jogos no Brasil e conta quais são suas expectativas. Veja: Novo Negócio - Você começou como panfleteiro e hoje é CEO. Conte um pouco da sua história. Alessandro Bomfim - Eu costumo dizer que não comecei minha vida profissional e, sim, comecei a sonhar em 1997. Naquele ano, abordava clientes com uma prancheta na porta de um curso de informática, no Rio de Janeiro, mas já pensava em ter meu próprio e grande negócio. Em apenas cinco anos, com muito trabalho e esforço, passei de panfleteiro a gerente geral, fiz uma oferta de compra para aquela escola e fundei minha própria empresa com mais dois sócios. Para crescer, assumi investimentos de alto risco, como abrir escolas durante o período crítico da crise mundial, e, por isso, abri vantagem competitiva no segmento. Hoje, a Saga tem oito unidades em cinco estados. Já formamos mais de 10 mil alunos e continuamos preparando futuros profissionais de computação gráfica para trabalhar em televisão, publicidade, estúdios de games etc. Novo Negócio - Quando você fundou a Saga? Alessandro Bomfim - A Saga foi criada em 2003, inicialmente como uma escola de cursos de informática, mas reposicionou sua linha de atuação em 2008 (quando passou a se chamar Saga), e tornou-se escola referência em cursos de arte digital e animação. A escola já tem 8 unidades (Lapa, Tatuapé e Santo Amaro, em São Paulo – SP, Centro, em Guarulhos – SP, Centro, em Salvador - BA, Boa Viagem, em Recife – PE, Taguatinga, em Brasília – DF e Centro, em Belo Horizonte – MG).

"Hoje sei que mais importante do que ser ter bens materiais e uma condição financeira boa, trabalhar com paixão, fazer o que eu gosto, ter uma vida familiar feliz, amigos verdadeiros, uma empresa admirada são realmente o que vale a pena. Isso, para mim, que é realmente ser bem-sucedido. Qualquer retorno financeiro é apenas consequência de tudo isso e não o objetivo".

Novo Negócio - A Saga fechou uma parceria com a Gnomon School of Visual Effects, de Hollywood e dela nasceu a Axis. Fale um pouco sobre ela. Alessandro Bomfim - A Axis foi criada a partir de uma parceria com a Gnomon School of Visual Effects, referência mundial no ensino de efeitos visuais, que fica em Hollywood, na Califórnia, EUA. O processo para conseguir firmar essa parceria não foi fácil, pois a Gnomon existe desde 1997, já recebeu dezenas de convites para fazer parcerias ou abrir escolas em outros lugares, e nunca aceitou. Apostamos numa escola internacional de efeitos visuais, pois esse é um mercado que está crescendo, mas que no Brasil não tem mão de obra qualificada. A área de animação e efeitos visuais hoje está presente em todo tipo de produção, além de filmes premiados, a animação está nas novelas, nos seriados infantis, na propaganda, na educação, nos vídeos da internet etc. Há, portanto, um enorme mercado para trabalhos de computação gráfica, animação e efeitos visuais. Já existem profissionais e outras escolas para cumprir as demandas básicas de computação gráfica que esses mercados precisam, mas há uma grande carência por profissionais altamente qualificados para trabalhar no Brasil e no exterior e, por isso, criamos a Axis. Novo Negócio - A Axis irá preparar profissionais para atuarem aqui no país ou empresas do exterior já estão "de olho" nos formados? Alessandro Bomfim - A Axis foi fundada em abril de 2013 e prepara profissionais para atuar no Brasil ou em qualquer outro mercado já há quase dois anos. Sem dúvida o brasileiro bem capacitado tem mercado de trabalho tanto aqui como no exterior. O brasileiro é muito criativo e com boa formação pode ter seu próprio negócio ou trabalhar nos maiores estúdios dos Estados Unidos. No Brasil, que está vivendo um momento fértil de criação de aplicativos e de games casuais, há muitas oportunidades também. Além disso, a indústria estrangeira terceiriza cenas, personagens, partes inteiras de um jogo e o brasileiro tem diferenciais em relação a outras nacionalidades: fala inglês melhor do que os asiáticos por exemplo, é criativo e não tem preconceitos de cultura e religião. O que falta é mão de obra bem capacitada na área e a Axis oferece várias opções de treinamento para carreiras em games, cinema, publicidade, concept art e design Novo Negócio - Como você avalia o mercado de arte digital aqui no Brasil? Somos emergentes ou estamos muito atrás dos Estados Unidos, por exemplo? Alessandro Bomfim - O Brasil ainda não é um polo de produção audiovisual, mas tem muito potencial e já conta com profissionais qualificados ou em fase de qualificação para ser o novo destino de outsourcing de produções internacionais, como hoje são China, Coréia do Sul, Índia, Singapura e Taiwan. Já temos muitas empresas desenvolvendo jogos para mobile e redes sociais, muitos artistas freelancers trabalhando para agências, o que contribui para este crescimento. Tudo isso exigirá artistas 3D, especialistas em animação, em efeitos visuais etc. Por outro lado, estruturalmente nosso país segue muito atrás dos demais pares emergentes, o que não permite então nenhuma comparação com Estados Unidos, Canadá e países europeus. Temos a maior carga tributária do mundo, elevadas taxas de juros, falta de incentivo ao empreendedor e corrupção em níveis alarmantes. Todos estes aspectos são crônicos e fortes complicadores para o sucesso das empresas brasileiras e nos impedem de competir de igual para igual no mercado internacional. Novo Negócio - Falta mão de obra qualificada e especializada? Alessandro Bomfim - Sim, e isto não é uma realidade só deste mercado. Faltam médicos, professores, gestores, entre outros, bem como artistas digitais de qualidade. Mas, estamos no caminho certo e o sucesso de escolas como a Saga e a Axis são prova disso. Os jovens estão procurando a se capacitar e nós estamos oferecendo cursos de qualidade e buscando reter nossos talentos aqui no Brasil. Novo Negócio - Os jogos tomaram conta de grande fatia do entretenimento. Você considera um bom momento para investir nesse segmento? Alessandro Bomfim - O Brasil é o 4º maior mercado consumidor de games no mundo, mas, em relação à produção, estamos aquém de mercados como Estados Unidos, Canadá, França, Coreia do Sul e China. Entretanto, investir no Brasil, considerando todos os problemas supracitados, é desanimador em muitos aspectos. Novo Negócio - Superação é uma das palavras que você carrega na sua bagagem? O que é ser bem sucedido? Alessandro Bomfim - Minha história de vida é como a da maioria dos jovens brasileiros. Saí de casa aos 17 anos e, sem suporte financeiro e emocional da família, passei muitas dificuldades e sofri pela falta de oportunidades, mas isso nunca me desanimou. Hoje sei que mais importante do que ser ter bens materiais e uma condição financeira boa, trabalhar com paixão, fazer o que eu gosto, ter uma vida familiar feliz, amigos verdadeiros, uma empresa admirada são realmente o que vale a pena. Isso, para mim, que é realmente ser bem-sucedido. Qualquer retorno financeiro é apenas consequência de tudo isso e não o objetivo. Novo Negócio - Não há dúvidas de que sua vida mudou muito ao longo dos anos. Que características do menino panfleteiro você ainda traz consigo? Alessandro Bomfim - A garra, a coragem, a disposição para trabalhar, para sempre dar o melhor de mim, em tudo o que faço, e não desistir diante de uma dificuldade.

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Sobre o autor

Vinícius Gonçalves

Consultor de negócios · 20+ anos de experiência

Administrador pela UEG, consultor com mais de 20 anos de experiência e especialista em planos de negócios. Pai de três, marido e empreendedor.

Atuou na Algar Telecom, no SEBRAE e em diversos pequenos negócios. Aficionado por criação de negócios, gestão e mentalidade empreendedora. Criou o Kit Novo Negócio, usado por mais de 13 mil empreendedores em diversos países.

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